quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Centenas de mortos em Santa Maria e 190 milhões de luto no Brasil


O pingado e o sanduíche de queijo branco permaneceram intactos na mesa da padaria na Vila Madalena, zona oeste da capital de São Paulo. Mesmo distante 1.259 quilômetros de Santa Maria (RS), a mulher de aparência de 50 e poucos anos parecia sentir, de alguma forma, as sequelas do incêndio que matou, até agora, 235 pessoas na cidade gaúcha no último final de semana. A inapetência para finalizar o café da manhã era justificada pela conversa feita ao celular e aos prantos.
“Estou em choque. Tenho filhos jovens, eles saem quase todo final de semana, poderiam estar entre as vítimas. Eu poderia ser uma dessas mães”, dizia ela, enquanto não tirava os olhos da televisão, com transmissão em tempo real do velório coletivo.
A mesma tragédia que matou os frequentadores de um show na boate Kiss e deixou outros 129 feridos, 76 em estado grave – a maioria universitários – fez o aposentado Osório Gonçalves Dias, 59 anos, manter o televisor e a internet desligados em Joinville, Santa Catarina. As notícias, conta ele, podem reabrir as feridas internas, lentamente cicatrizadas ao longo dos últimos 39 anos.
Em 1974, Osório sobreviveu às labaredas de fogo que destruíram o edifício Joelma em São Paulo, deixando 187 mortos, 30 deles amigos próximos do aposentado. Ele tinha 20 anos, a mesma faixa etária da maior parte das vítimas de Santa Maria.

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